Carnaval da Pesada (O Globo / Extra)

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Carnaval da pesada: Conheça os guindastes que levantam a festa no Sambódromo12/02 às 22h06 Roberto Dutra

RIO – O carnaval está aí, com as mulatas do Gois, surdos, carros alegóricos e fantasias. E também com o Carvalhão. Os indefectíveis guindastes que ficam em torno do sambódromo despertam a curiosidade tanto pelo nome (sempre pintado em letras garrafais) quanto pelas dimensões superlativas.

Os guindastes levantam o desfile há 26 anos. Atuam nos bastidores, instalando passarelas, painéis e telões e erguendo grandes volumes. Mas também estão na festa, içando destaques de escolas de samba e rebocando carros alegóricos quebrados, principalmente na concentração e na dispersão.

Na dispersão, aliás, tudo é mais difícil, porque tem que ser cronometrado.

- Carnaval é que nem matemática, dois mais dois tem que dar quatro – compara Ramon Batista, chefe de içamentos e remoções da empresa.

No total, nove guindastes (com um operador e dois auxiliares cada) e 11 empilhadeiras (com um operador e um auxiliar cada) trabalham simultaneamente. A equipe tem que levar nota dez em harmonia.

O nome Carvalhão surgiu meio ao acaso. A empresa foi fundada há 50 anos pelo empresário Silvio Ferreira de Carvalho, já falecido. Na época, a empresa tinha apenas um modelo de empilhadeira, cujo apelido era Carvalhinho. Quando veio o primeiro guindaste, de 18 toneladas, os funcionários o apelidaram de Carvalhão. Logo o nome se popularizou.

Vai longe esse tempo. Hoje, as estrelas da companhia são os guindastes japoneses Tadano, que pesam 60 toneladas e levantam até 70, dependendo da versão, e principalmente o americano Terex Demag, que pesa 60 toneladas e ergue outras 160. Este modelo é movido por em motor a diesel de oito cilindros em linha e 530cv, e o sistema hidráulico do guindaste é alimentado por um outro motor, de quatro cilindros e 175cv.

A frota tem 28 guindastes. Isso além de carretas, empilhadeiras, gaiolas e uma van-carrier, nome chique para o veículo que move contêiners. Os mais novos são dois guindastes chineses Zoomlion QY70V zerados, que erguem 70 toneladas e ainda nem entraram em operação. Já o mais velhinho é um Bantam 1974, um autopropelido (pequeno guindaste de apenas quatro rodas) que, vez por outra, ainda trabalha.

Acima dos autopropelidos vêm os chamados “guindastes veiculares”, que são montados sobre chassis Ford, Volks ou Mercedes, por exemplo. No topo da gama, estão os truck-cranes, que têm chassis feitos especialmente para a função de guindaste – e geralmente têm aquelas cabines esquisitas, com volumes irregulares.

Dentro dos truck-cranes novos, a ralação hoje é menos estafante. O operador vai numa poltrona pneumática (que se ajusta ao peso do corpo) e controla tudo com botões e joysticks, além de dispor de um computador que chega a ter pré-programações.

Por exemplo, o operador vai erguer uma carga de três toneladas que está a 30 metros. Ele consulta uma tabela, insere no computador o código relativo a esses dados e o guindaste se ajusta para o serviço sozinho, avançando a lança e apoiando as patolas (aquelas pernas laterais que o impedem de tombar) nos ângulos ideais.

O operador tem de ser tarimbado. Como não existe “guindaste-escola”, eles fazem cursos como os do Senai, que passam normas técnicas e dão certificados. Mas entram nas empresas como auxiliares e somente depois de três a cinco anos vão operar as máquinas, que requerem habilitação categoria C.

No pátio da empresa, uma impressionante oficina faz de tudo: de consertos e pintura a tornearia e reconfigurações nos chassis. Lá fora, o trabalho inclui içamentos em eventos festivos, socorros em tragédias, destombamento de locomotivas e até levantamento de passarelas.

Os serviços não são baratos. A diária de um “pequeno” de 18 toneladas sai por R$ 2 mil, por exemplo. Mas é preciso lembrar os preços dessas máquinas: um Terex custa US$ 5 milhões e cada um de seus pneus vale R$ 15 mil – e o monstro usa dez!

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